Elena parou de respirar.
“Não…” ela sussurrou imediatamente, balançando a cabeça, dando um passo para trás. “Não, isso não é possível. Meus pais estão mortos.”
O rosto da mulher se contorceu — não com raiva, mas com algo muito pior.
Culpa.
“Disseram isso a você,” ela disse suavemente. “Porque eu mandei.”
O mundo de Elena girou.
“O quê…?”
A mulher encurtou a distância novamente, mais devagar desta vez, como se estivesse se aproximando de algo frágil.
“Vinte anos atrás,” ela começou, sua voz irregular, “eu tive uma filha. Uma menina. Mas minha família—” ela engoliu em seco, “—eles disseram que ela arruinaria tudo. Meu casamento. Meu status. Minha vida.”
O peito de Elena apertou.
“Não…”
“Eu fui fraca,” continuou a mulher, sua voz quebrando agora. “Eu deixei que eles levassem você. Eu disse a mim mesma que você estaria mais segura longe deste mundo.”
Lágrimas escorriam pelo rosto dela.
“Eu te dei aquele colar para que eu pudesse sempre te encontrar novamente.”
Elena tocou a esmeralda instintivamente.
De repente, ela pareceu mais pesada.
Como se carregasse cada mentira que ela já tinha ouvido.
“Você está mentindo,” disse Elena, mas sua voz não tinha mais força. “Por que agora? Por que dizer isso agora?”
“Porque eu pensei que você tivesse ido embora para sempre,” a mulher sussurrou. “Até ver aquele colar… em você.”
O silêncio engoliu o corredor novamente.
Mas não estava vazio.
Estava cheio de tudo que não foi dito por vinte anos.
Os olhos de Elena se endureceram através das lágrimas.
“Você não me perdeu,” ela disse calmamente. “Você me abandonou.”
As palavras atingiram mais forte do que qualquer grito.
A mulher recuou.
“Eu sei…” ela sussurrou.
Elena deu mais um passo para trás.
“Eu cresci achando que não era desejada,” continuou, a voz tremendo mas aumentando. “Você entende o que isso faz com alguém?”
“Eu nunca parei de te querer,” disse a mulher desesperadamente.
“Mas você parou de lutar por mim.”
Isso atingiu.
Profundo.
Final.
A mulher caiu levemente contra a penteadeira, como se seu corpo não pudesse mais carregar o peso de suas escolhas.
“Por favor…” ela sussurrou. “Só… não vá embora.”
Elena olhou para ela.
Realmente olhou para ela.
Para a semelhança.
Para a verdade que ela nunca pediu.
Para a vida que poderia ter sido dela.
Então ela lentamente tirou o colar.
A esmeralda capturou a última luz do pôr do sol.
Por um momento… parecia que estava sangrando fogo verde.
Elena deu um passo à frente e o colocou gentilmente na mão trêmula da mulher.
“Você não tem o direito de me encontrar agora,” ela disse suavemente.
E com isso—
Ela se virou.
E foi embora.
Deixando para trás a mulher, a verdade…
e a vida que foi roubada dela.
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